Melhores empresas do país investem em visão de futuro e impacto social

Conclusão é de professores e executivos integrados em premiação, que destacaram ainda como requisitos de sucesso integridade e governança e foco em evolução
ilustração de umhomem e uma mulher sentados com binóculos cada um olhando para o lado contrário do outro , demonstra visão diferente de cada personagem
Ilustração digital

Desenvolver visão de futuro e ter impacto social seriam as atitudes mais determinantes para que uma empresa seja bem-sucedida econômica e socialmente. A conclusão é de Heiko Spitzeck, professor na área de Sustentabilidade e Diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral (FDC), que destacou ainda outras características para que uma corporação tenha bons resultados, dentre elas a integridade e governança, a busca de atualização constante, o investimento em inovação e tecnologia e o foco permanente em evolução.

A avaliação do professor está em artigo escrito após encontro com representantes de companhias premiadas no último Anuário Época Negócios 360º. A pesquisa e premiação foram criadas pela Revista Época em parceria com a FDC, que elege as melhores empresas do Brasil, com base em uma análise de seis desafios de gestão: desempenho financeiro; governança corporativa; práticas de RH; capacidade de inovar; visão de futuro; e responsabilidade socioambiental. O Anuário de 2024 – o de 2025 ainda não foi concluído – premiou a ArcelorMittal como empresa do ano, destacando ainda WEG (Desempenho Financeiro), SLC Agrícola (Agronegócio) e Afya (Educação), dentre outras.

Grupo usou IA e inteligência analítica

O grupo analisou mais de 900 empresas que participaram do ranking da Época nos últimos 14 anos, combinando ferramentas de IA e inteligência analítica usada por professores da FDC para identificar padrões de excelência. Das seis dimensões nas quais a premiação se baseia, o grupo chegou à conclusão de que a visão de futuro, em estratégias orientadas a longo prazo, é a mais influente para determinar a sobrevivência e o sucesso de uma empresa. A relevância para a sociedade também tem peso similar – e geralmente integrada às estratégias.

Mas outros aspectos foram destacados pelos professores e executivos das empresas premiadas na discussão do que é importante para que uma companhia seja bem-sucedida.

Marina Soares, diretora Jurídica, de RI e de Sustentabilidade da campeã ArcelorMittal, destacou a importância da “integridade e da governança”. Raphael Duailibi, CEO da AeC, ressaltou o valor do “S” (Social) no ESG: ao investir em centros operacionais no interior, como em Campina Grande, na Paraíba, a empresa gera renda local e, ao mesmo tempo, reduz custos e melhora sua capacidade de atrair e reter talentos. Já Leandro Marin, VP Regional da Aegea, reforçou a importância de pensar o longo prazo como princípio orientador da gestão.

A importância dos Comitês de Pessoas e Sustentabilidade

homens e mulheres jovens olhando com atenção para algo à sua frente
Foto: People Images/ Shutterstock

O grupo observou também que as melhores empresas fortalecem sua governança, mantendo comitês de Pessoas e Sustentabilidade vinculados ao Conselho de Administração, em proporção significativamente maior que a média. E, em busca de atualização constante, 90% das TOP 30 do prêmio participam de eventos internacionais de inovação e tecnologia. Finalmente, a busca permanente por evolução distingue as melhores empresas.

Os professores e executivos também salientaram alguns aspectos característicos das empresas líderes na premiação. A margem EBITDA – indicador que mostra o lucro operacional de uma empresa como uma porcentagem de sua receita líquida, antes da dedução de juros e impostos – das TOP 30, por exemplo, é 12 pontos percentuais superior à média das demais (21% versus 9%). A margem líquida é quase o dobro (10,5% versus 5,6%). Além de melhor desempenho financeiro, essas empresas apresentam climas organizacionais mais positivos (90% de aprovação contra 60%) e, como consequência, menor rotatividade voluntária (4,9% contra 7,9%). Também se destacam por usar práticas ESG para reduzir custos (29% versus 2%).

Reprodução de: FDC/ Seja Relevante

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