OPINIÃO: O checklist atemporal da gestão: o que nunca muda nas empresas de sucesso

Por Eduardo Gomes de Matos

No mundo dos negócios, tudo parece estar em constante transformação: novas tecnologias, modelos disruptivos, startups desafiando gigantescos planos. Porém, quando olhamos para as empresas que permaneceram relevantes ao longo das décadas, percebemos que existem princípios que não mudam — fundamentos atemporais que sustentam qualquer organização.

Baseando-se em pensadores como Peter Drucker, Jim Collins, Tom Peters e CK Prahalad, é possível construir construir um verdadeiro checklist atemporal de gestão. Ele funciona como um filtro simples, mas poderoso, capaz de mostrar se a empresa está no caminho da grandeza ou se está perdendo em distrações.

  1. Clareza de Propósito

Drucker lembra: “A única razão para a existência de uma empresa é criar um cliente”. Isso significa que o propósito não pode ser uma frase bonita na parede, mas um norte claro que um todo em torno de servir melhor o cliente. Uma organização sem propósito claro perde energia, foco e engajamento.

  1. As Pessoas Certas nos Lugares Certos

Jim Collins, em Empresas Feitas para Vencer, nos ensina: “Primeiro quem, depois o quê”. Não adianta ter a melhor estratégia se quem executa não está alinhado ou não tem a competência adequada. A disciplina de colocar as pessoas certamente no lugar certo cria uma habilidade que gira de forma consistente.

  1. Disciplina de Execução

Tom Peters vai direto ao ponto: “Execução é estratégia”. Muitas empresas possuem planos sofisticados que nunca saem do papel. A disciplina em execução com consistência é o que transforma ideias em resultados.

  1. Foco no Essencial

CK Prahalad defende a concentração nas competências essenciais, ou competências essenciais. Isso significa priorizar aquilo que realmente diferencia a empresa no mercado. Quando se tenta fazer tudo, perde-se força; quando se foca no essencial, cria-se relevância.

  1. Inovação como Hábito

Drucker também destacou a inovação sistemática. Não basta inovar apenas em momentos de crise. As empresas  longevas cultivam a inovação como hábito, incentivando as equipes a questionar, experimentar e melhorar continuamente.

  1. Medir o que Importa

Por fim, a cultura. Peters alertou que “a cultura engole a estratégia no café da manhã”. Se os valores e comportamentos vívidos no dia a dia não sustentarem a estratégia, nenhuma meta será cumprida. Empresas fortes sabem que cultura não é acessório, é alicerce.

O Checklist Atemporal

  • Pergunte-se hoje:
  • Nosso propósito é claro para todos?
  • Temos as pessoas certas em lugares certos?
  • Nossa execução é disciplinada?
  • Estamos focados não essenciais?
  • Inovamos constantemente?
  • Medimos o que é realmente importante?
  • Nossa cultura sustenta a estratégia?

Responder a essas perguntas não é um exercício acadêmico. É um espelho que mostra se a empresa está construindo grandeza ou apenas correndo atrás de modismos passageiros.

As organizações que resistem ao tempo são aquelas que, mesmo diante de novas tecnologias e modelos, não se esquecem ou que nunca mudam: propósito, pessoas, disciplina, foco, inovação, métricas certas e cultura viva.

No fim, o futuro pertence a quem honra os fundamentos eternos da gestão e não se acomoda, pois como sempre digo: “Sucesso não é você chegar lá, mas chegar e se manter lá!”

Foto do autor. Homen de cor morena de terno sentado em uma poltrona de blaser azul escuro aberto e camisa azul clara

(*) Eduardo Gomes de Matos é CEO da Gomes de Matos Consultoria

Reprodução de: Nosso Meio

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