Governança em Foco: Entre Barreiras e Soluções para o Futuro

Governança tem sido assunto que me interessa cada vez mais. Há importância fundamental em se pensar e praticar governança nas organizações. Por outro lado, as dificuldades são inúmeras e vejo que o enfrentamento para a questão ainda enfrenta diferentes barreiras, fatores diversos estão envolvidos.

Nesta semana, foi publicado um artigo por Alan Soares, de título O G de ‘governança’ pode ser a letra da vez na cartilha da agenda ESG”. Ele ressalta uma observação do professor Gouvêa sobre a percepção anticorrupção da governança, um tema delicado no Brasil. A discussão sobre corrupção, tanto em termos financeiros quanto éticos, é ampla e requer uma análise cuidadosa.

Alan argumenta que mudanças significativas na governança são improváveis sem uma renovação nas altas lideranças e Conselhos. Ao fechar o artigo, Alan escreve que

Faz todo sentido quando o professor Carlos Portugal Gouvêa aponta que a mudança não deve chegar tão rápido, e aqui acrescentamos que, enquanto as altas lideranças e Conselhos continuarem abrigando as mesmas pessoas, o que pode mudar?Não se faz mudança e boa governança sem mudar as pecinhas do jogo.

Concordo que é necessário mudar as pecinhas, na minha percepção são algumas e com alta complexidade para se mexer.

Coincidentemente, entre semana passada e esta, estive analisando situações que estavam envolvendo justamente a dificuldade do estabelecimento da governança.

A governança requer uma combinação de princípios, processos, abordagens metodológicas, dentre outros, e, principalmente, passa pelas pessoas. E cada contexto indica a necessidade de compreender e trabalhar fatores diferentes.

Por outro lado, há um ponto que talvez seja o mais crítico, senão um dos mais críticos: acho que a grande dificuldade na governança parte do fator humano! Desafios críticos permanecem, especialmente relacionados aos conflitos de interesse e agendas ocultas.

Trocando ideias sobre esse assunto com Denise Eler , achei interessante a sua posição de que “a saída está na gestão do valor para os stakeholders”.

Concordo, e adiciono algumas reflexões.

A questão, na minha visão, é que o enfrentamento desse tipo de contexto nas organizações inicia pela liderança que estejam com foco real em estabelecer a governança. Passa pela questão de ética e dos princípios básicos da governança corporativa (IBGC, 2023) (integridade, transparência, equidade, responsabilização (accontability) e sustentabilidade), além do posicionamento e de atitude em trazer o estabelecimento da mudança cultural, quase social na dinâmica empresarial. E para isso, há necessidade realmente de atitude e busca por coerência.

Refletir sobre nossa posição enquanto lideranças, empreendedores e stakeholders é essencial. Precisamos ter clareza sobre nosso posicionamento junto a stakeholders e ao mercado em relação à governança. É preciso ter a coragem de adotar novos comportamentos. A mudança deve começar por nós mesmos com a adoção de novos comportamentos e rejeição a atitudes que comprometam a governança.

  • E você, como enxerga os desafios da governança na sua esfera de atuação?
  • Tem atuado nestes desafios?
  • Repensar a governança e sua implementação pode ser um caminho importante para alterar as previsões de que “nada irá substancialmente mudar em 2024, e nem nos próximos anos”?

REFERÊNCIA:

 

Porque você pode confiar neste artigo?

Ana Catarina Lima e Silva Profissional que adora desafios, e gosta de atuar na interseção da tecnologia, governança, processos, pessoas, estratégia e educação. Formada em Ciência da Computação pela UFMG. Durante o mestrado em Administração na UFMG (2000), realizou uma transição de carreira de gerente de linha de softwares para o mundo de processos e BPM. Umas das pioneiras em BPM. Criou a primeira especialização em BPM em Minas (e uma das primeiras no Brasil), pela PUC Minas, em 2007 e, posteriormente, publicou livro também sobre BPM. Também participou da escrita de livros coletivos na Jornada Colaborativa. Empreendedora e atua como professora em instituições renomadas como a FDC – Fundação Dom Cabral (desde 2011) e PUC Minas. Na PUC Minas, tem criado e coordenado diversos cursos de pós-graduação e MBAs, sempre buscando conectar a academia e mercado nos mais diversos assuntos com os quais lida na vida profissional. Realiza trabalho voluntário em organizações sem fins lucrativos há mais de 30 anos. Em instituições como a ABPMP Brasil, contribuiu para a melhoria da gestão de processos no Brasil atuando como gestora regional (MG) e diretora (BR). Atualmente tem atuado mais fortemente, além da linha de gestão e BPM, também em governança, mentorias e assessoria estratégica junto a empreendedores e profissionais. Siga a autora!

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